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Medo de amar

Pode ter certeza que você perde muito, quando sente medo de amar.

Você sabia que o amor ativa toda a bioquímica do nosso corpo?

Dopamina, oxitocina, serotonina, testosterona e estrogênio são os hormônios do bem estar, que são totalmente ativados quando estamos amando.

Quer algo melhor do que estar produzindo todas essas substâncias maravilhosas que nos deixam em profundo estado de bem estar?

No entanto, é importante você saber que o medo de amar pode pôr tudo a perder.

Medo de amar: breves relatos nas redes sociais

Levei o tema Medo de Amar às redes sociais para interagir com os amigos e a repercussão foi incrível. Assim sendo, muitos faceamigos abriram o coração e compartilharam suas dores de experiências amorosas.

Por isso, diante dos relatos de tanto medo de amar, resolvi buscar uma opinião profissional para compreender melhor de onde vem e como lidar com o amor, depois de tantas dores expostas.

Sendo assim, conversei com o psicólogo Pedro Martins para que possamos entender o conflito entre carência de afeto, individualismo e superficialidade.

Afinal, por que tanto medo de amar?

Pedro Martins, doutor e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e psicólogo pela Universidade Federal de Uberlândia, nos enviou o artigo abaixo.

Nesse sentido, Martins nos trouxe uma interessante reflexão sobre os comentários sobre o medo de amar.

Confira a reflexão do profissional e abra os olhos para essa questão tão comum no que diz respeito ao relacionamento amoroso:

Medo de amar, por Pedro Martins

“Ao ler os diversos comentários das pessoas sobre o medo de amar, me chama atenção um aspecto comum: histórias de dor e de frustração do passado que, de diferentes formas, deixaram marcas nessas pessoas.

De certa maneira, elas compartilham de um recado parecido, por assim dizer:

‘Relacionar-se é perigoso. Tome cuidado. Amar não vale a pena’.

Assim, se essas histórias são individualizadas e contemplam aspectos particulares de cada um, se destacando então, um componente cultural que se submete a elas:

 

De que modo temos nos organizado em torno da noção do que é amor?

O que esperamos dos relacionamentos em nossas vidas?

Como nos comportamos orientados por essas expectativas?

 

Diante disso, a terapeuta de casal, Esther Perel, diz:

‘Esperamos de uma única pessoa, atualmente, o que antes uma vila inteira nos oferecia’.

Por isso, se antigamente, o casamento se dava como um acordo social, hoje, nos relacionamentos do mundo ocidental, as expectativas são bem diferentes.

Ou seja, fica claro que são orientadas pela possibilidade da escolha e da felicidade.

Um depósito de expectativas

Ora, nunca na História, o amor colocou tanto do senso de nós mesmos em jogo. Logo, a partir disso, muitas expectativas são depositadas sobre uma pessoa só.

Primeiramente, queremos encontrar a tampa da panela, a metade da laranja, e esperamos daquela pessoa única, muitos diferentes papéis.

Acima de tudo, buscamos amor verdadeiro, amante ardente, interlocutor compreensivo, genitor adequado para nossos filhos, além de apoio emocional.

Em suma, a lista é enorme. Mas o que as pessoas não se dão conta, é que isso talvez não seja muito realista, em termos de um ser humano único.

Então, a pergunta que precisamos nos colocar é:

O que mais valorizamos e buscamos em um relacionamento?

Ou seja, isso significa, necessariamente, encontrar maneiras de buscar em outros contextos, o que aquela pessoa sozinha jamais poderia suprir.

Por isso, esses contextos são variados de outros relacionamentos significativos, como a família, amizades, trabalho, além de diferentes grupos sociais.

Dessa forma, entre o amor ideal e o amor possível, existe esse compromisso importante com os próprios limites e os do outro, além dos valores que se compartilham ou não na construção de um caminho de vida.

Mas, e aí, será que vale a pena se arriscar e amar de novo?

Para responder a essa pergunta, precisamos dar um passo atrás e pensar sobre a importância dos relacionamentos na constituição dos seres humanos.

Um experimento revelador

Existe um experimento clássico em Psicologia do Desenvolvimento, no qual o pesquisador Harry Harlow separava filhotinhos de macacos Rhesus de suas mães.

Depois, oferecia aos filhotes duas opções: de um lado, podiam escolher uma “mãe” substituta, feita de metal, mas que oferecia comida.

Do outro lado, havia uma “mãe” substituta feita de pano, mas que não trazia comida.

Em síntese, os resultados do estudo foram surpreendentes.

Isso porque os macaquinhos tendiam a preferir de forma significativa a mãe feita de pano, já que ela oferecia um senso de conexão muito mais forte para eles do que a mãe de metal, ainda que a segunda viesse com um item tão básico de sobrevivência quanto a comida.

Há, portanto, um componente evolutivo importante em nossa necessidade de nos relacionarmos com outros seres humanos, desde a mais tenra idade.

E isso, se estende por toda a vida.

Conexão, afeto e amor

Ou seja, tudo isso é primordial para nós e está na base do que é ser humano. Talvez não seja o amor romântico idealizado, mas a representação de amores possíveis, construídos em diferentes tipos de relacionamento.

Assim, podemos ser felizes e nos conectar de diferentes maneiras.

Dessa forma, o que vemos hoje de mais atual em termos de Psicologia Social é que as diferentes maneiras de amar são verdadeiras para a vida das pessoas, dependendo de seus valores, tanto particulares, como sociais.

Entretanto, no Ocidente, essa expectativa de encontrar significado no amor romântico costuma ser central nas histórias de vida das pessoas.

Recomeçar depois de se machucar

Então, como alguém que já sofreu por amor no passado pode superar esse medo e voltar a se relacionar?

Inicialmente, o primeiro passo seria olhar para a própria história de vida e buscar entender como esse medo foi formado.

Além disso, é preciso observar a fundo a concepção de que o amor não vale a pena.

Questione-se

Depois disso, questione-se sobre quais relacionamentos foram centrais para a construção desse entendimento.

Outra pergunta que sempre gosto de fazer tem a ver com o futuro é: você está de acordo em viver orientado pelo que essas histórias e pessoas “traumáticas” do passado fizeram com você?

Em resumo, na Psicologia Experimental, existe um estudo sobre o desamparo muito interessante:

Se uma pessoa é submetida à alguma forma de sofrimento ou punição e isso se repete por algumas vezes, independentemente de como essa pessoa se comportar, a tendência é que ela perca a esperança de que é possível fazer diferente.

Sendo assim, penso que esse medo de amar possa ter algo nesse sentido.

Ou seja, tentativas frustradas vindas de diferentes maneiras com o amor do passado levam à conclusão de que não vale a pena amar, porque os resultados são sempre negativos.

Desse modo, é o que os psicólogos comportamentais chamam de desamparo.

Mas, será que essa conclusão advinda dos “erros” do passado vale para o futuro como um todo?

Não!

O sentimento de desamparo

O experimento do desamparo nos mostra também que, muitas vezes, o ambiente já se transformou.

No entanto, se ao menos a pessoa fizesse algo diferente naquele momento, então, ela finalmente teria um resultado positivo.

Em contrapartida, ela precisa continuar agindo e tentando.

Além disso, aqui, tem uma palavrinha que se torna muito importante: vulnerabilidade. Em suma, eu peguei essa ideia emprestada de uma palestrante chamada Brené Brown.

Segundo os estudos dessa assistente social, as pessoas se conectam umas com as outras, quando são capazes de se mostrar vulneráveis o suficiente diante do outro, ou seja, sendo apreciadas do jeito que são. Por isso, não há máscaras.

Mas isso exige coragem.

Coragem!

Por isso, como diria Guimarães Rosa: o que a vida quer da gente é coragem, não é mesmo?

Então, meu conselho na prática seria esse: entenda o que trouxe a pessoa até aqui para, então, buscar coragem em direção a um caminho com o amor que seja mais coerente com a história de vida que se quer para si.

Dessa forma, fico especialmente tocado com o relato acima de Heloísa Helena, que se abriu e conheceu o amor novamente. Que coisa bonita de se ver!

Um relato marcante sobre o medo de amar

“Por ser intensa, sofro muito quando um amor acaba. Isso aconteceu no meu primeiro casamento, rompido após 20 anos. Experimentei sentimento de rejeição, baixa autoestima, abandono. Me sentia uma coisa qualquer, como um ser sem utilidade para aquele homem. Esses sentimentos se arrastaram por 5 anos, até que conheci o meu atual parceiro. Renasci para o amor, sem medo de repetir a dose. Não desisti de me apaixonar de novo e me descobri uma mulher renovada, sensual, capaz de despertar nesse outro uma paixão que eu julgava nunca mais despertar novamente em alguém. Hoje, aos 60 anos, me sinto uma jovem mulher, amada e amante. Nada como acreditar que não se ama uma só vez, mas várias e diferentes vezes. E vou amar sempre, sem medo e com entrega daquilo que tenho de melhor” Heloísa Helena, funcionária pública

Em síntese, nossos relacionamentos se formam e se sustentam conforme interagimos.

Sem dúvida, oferecemos um pouquinho de nós e recebemos um pouquinho do outro. E, assim por diante, enquanto também nos conhecemos e nos transformamos no processo.

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Dr. Pedro Martins é psicólogo pela Universidade Federal de Uberlândia, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo.
[email protected]
www.intervencoesterapeuticas.com.br/home
https://www.facebook.com/drpedrocomenta

Sendo assim, se nossos relacionamentos diversos estão na base do que é ser humano e, se o amor romântico é tão importante para como nos organizamos culturalmente, então, talvez a aposta de continuar amando – em suas mais diferentes formas – resgate para nós um senso de vitalidade e vibração que, muitas vezes, se perde diante do medo de amar.

Então, diante disso, nos perguntamos: que vida queremos ter e como amar e nos relacionar pode nos levar até ela?

Esse é o desafio.

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Aurélia Guilherme

Aurélia Guilherme

Uma jornalista que atua nas entrelinhas

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