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Saudade: uma carta para você refletir

Saudade em sua expressão mais aprofundada pode ser sentida na forma de entendimento do amor sem dor.

Nessa minha longa vida de jornalista, entrevistando médicos, pacientes, pessoas sadias, pessoas carentes, pessoas endurecidas pela vida, me deparo com esse texto que trago ao Movimento Íntimo Feminino.

É um texto que me fez refletir profundamente. A morte, a finitude, ou o recomeço, o retorno para a casa do Pai. Passamos décadas das nossas vidas, rodeando em torno de nossos desejos, em uma falsa ilusão.

Somos, tantas vezes, egoístas com quem está tão perto. Agimos com certezas rasas, sem uma leitura mais aprofundada das situações. E, assim, vamos metendo os pés pelas mãos, nos afastando do que realmente importa.

E o que importa?

Saudade é o amor que fica

Convido o leitor, a analisar a própria vida e rever pontos obscuros, a forma como lidamos com quem amamos, ou com o que nos desagrada.

É preciso ter maturidade para não cair em uma armadilha, chamada de “ilusão”. Aqueles que passam pelas adversidades, com a consciência plena de que é preciso dar o melhor de si sempre, são os vencedores dessa jornada.

Uma carta para a saudade

A carta abaixo desse médico oncologista, foi encontrada para que eu me torne melhor filha do que tenho sido, melhor irmã, melhor amiga, melhor pessoa.

Republicando a carta do médico oncologista Rogério Brandão:

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Às vezes, quando abrimos os olhos da alma, podemos questionar valores sabotados por uma falsa ilusão. Obrigada Dr. Rogério Brandão por abrir meus olhos para ao que realmente importa.

“Quando eu morrer, acho que minha mãe vai ficar com saudade. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.

Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes. Também vi medo em seus olhinhos, porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe.

A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

— Tio, disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Indaguei: — E o que morte representa para você, minha querida?

– Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.) É isso mesmo.

– Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.

– E minha mãe vai ficar com saudades – emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

– E o que saudade significa para você, minha querida?

– Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!

Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu.

Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno”.

E você?

Sente-se em falta com alguém por egoísmo, por falta de tempo, falta de amor ou por negligência?

Se essa carta provocou o mesmo efeito em você, deixe nos comentários sua opinião para que mais pessoas possam refletir sobre as armadilhas da ilusão.

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Aurélia Guilherme

Aurélia Guilherme

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